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A frieza dos números no futebol

numerosEu adoro os números do futebol. Saber quem ganhou mais ao longo da história, o desempenho do time naquele estádio, o jogador que marca muitos gols contra um time, tudo isso desperta minha curiosidade e, dependendo do caso, aponta tendências.

Mas usar os dados estatíscos como verdade absoluta, no futebol, é pouco inteligente.

Não podemos desumanizar um esporte tão passional, onde o time que sofre gols fica desnorteado e o da boa fase realiza aquilo que nunca mais fará. No futebol, o atacante de bom nível perde grandes chances e começa a ver o gol menor, enquanto o grosso, na rara fase boa, coloca muitas bolas para dentro.

E as sequências positivas e negativas das equipes?  Como explicar que são capazes de ganharem partidas em seguidas, muitas delas contra fortes rivais, e depois perdem algumas, atuam mal por um período?

O futebol é humano!!!

Agora

Neste momento, no brasilerão, quantificar a chance de um time ser campeão é impossível. Outro dia li que a chance são-paulina era maior que a palestrina. Nada, na prática, confirma isso. Hoje, neste disputado campeonato, a conta é tão simples quanto o resultado dela.

Palmeiras e São Paulo somaram 2 pontos a mais que o Galo, e o Flamemgo, 4 atrás dos líderes, não pode tropeçar. Qualquer cálculo matemático além deste não tem lógica.

O texto abaixo é de Rui Branquinho, “amado” pela nação Rubro-Negra.

Ele fala sobre o uso números e futebol.

Sobre números e futebol

De Rui Branquinho

Números são frios. O que pode ser ótimo ou péssimo. Ótimo quando o assunto em questão permite que eles resumam de forma inequívoca uma situação tal qual o custo final da construção de um estádio incialmente orçado por um valor muito mais baixo. Ou então quando determinam de uma vez qual a quantidade de títulos nacionais que este ou aquele time de fato conquistaram. E mesmo assim…

Bom, mas quando os números invadem o futebol de maneira destrambelhada vemos uma sucessão de tabelas com probabilidades do time S ou P ser campeão, ou do time F ou C ser rebaixado.

Antes que me entendam mal, sou profundo admirador dos números e os considero fundamentais para bons planejamento, leitura de jogo e escolha de novas contratações. O problema, assim como com as pesquisas, é a interpretação deles.

Já citei uma vez mas considero o livro “Freakonomics – O Lado Oculto E Inesperado De Tudo Que Nos Afeta” de Stephen Dubner e Steven Levitt uma obra prima sobre a interpretação de números, dados e sua relação com o mundo real.

Cito o mundo real porque muitas vezes pesquisas e cálculos parecem habitar outros universos. Muitos deles são absolutamente alienados, distantes de qualquer vínculo com a realidade. Tecnicamente perfeitos, contudo absolutamente irrelevantes.

Explico: um dado. Seis lados com um número em cada face. Caso tal dado não esteja alterado a probabilidade de, ao arremessá-lo, você tirar um 6 será sempre a mesma, concorda? Ou seja, você tem uma chance em 6. Para ser mais exato a chance de vc tirar 6 é de 16,6666 … %. Chova ou faça sol. Exato como a matemática.

Muito bem … Assim também é na roleta por exemplo: a chance de sair o número vermelho é exatamente igual a de sair o número preto.

Megasena … A probabilidade de você acertar as seis dezenas apostando em apenas seis dezenas é de 1 em 50.063.860. Mais uma vez, chova ou faça sol. Ontem, hoje ou amanhã.

Mas voltemos ao futebol.  Em geral, quando relacionados a desempenho de equipes, podem ser bastante esclarecedores.  Ajudam, inclusive, a encontrar fraquezas e entender melhor o que anda acontecendo.

O excessivo número de passes errados pode determinar que tipo de treinamento deve ser realizado com urgência. A quantidade de cartões amarelos de um jogador ao longo de vários campeonatos também pode ajudar a definí-lo como estabanado ou violento.

Mas determinar chances de ser campeão? Ano passado, por exemplo, um time que tinha 1% de chance de ser campeão no meio do campeonato acabou levantando a taça pela terceira vez consecutiva.

Fico pensando no coitado do matemático fazendo contas olhando o retrospecto do time no campeonato. O Inter tinha Nilmar, o Corinthians não estava classificado para a Libertadores, o São Paulo amargou a 16a posição … Como fazer isso tudo pesar para chegar a um número final que reflita as reais chances de cada um? Impossível!

Alguém se arriscaria a dizer numericamente – sem chute e com justificativas – quais as chances do Brasil ser campeão da Copa de 2010, ou de 2014 … tanto faz? Impossível.

O Brasil é  favorito em 2010 … Óbvio. Em 2014, óbvio. E é só. Sem números e por puro bom senso. Mas e se metade do time do Dunga se contundir? E se na véspera do jogo final algum jogador tiver misteriosa convulsão? E se, e se …

E se o Diego Souza e o Vagner Love desaprendem a jogar futebol, o time do São Paulo desistir do campeonato e o Atlético Mineiro ganhar todas as restantes? Diferentemente da roleta, da megasena ou do dado, tudo mudará.

Ok … são apenas indícios, mas da maneira como determinadas pessoas levam isso a sério parece que é mais sério do que parece.

Torçamos todos para que não tenha o “e se ..“, roamos as unhas, gritemos, sonhemos …

Isso é futebol, isso é emocionante, apaixonante e distante trilhões de quilômetros da frieza dos números.

FONTE: BLOG DO BIRNER

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